Quando ouvimos a palavra câncer, quase que automaticamente fazemos ligações com a morte, a perda, o sofrimento. A palavra já carrega em si um certo peso de negatividade que sempre lhe é atribuído. Mas sentimentos como o amor, a solidariedade e a compaixão são capazes de mudar tudo isso. Noélia de Jesus Andrade, antiga usuária do Gacc/SE, é mais um exemplo de cura alcançada com o apoio da instituição.
O chamado retinoblastoma é um câncer que atinge a membrana da retina ocular e corresponde de 2 a 4% dos tumores malignos em crianças. O sintoma mais comum é o chamado leucocoria, “reflexo branco” ou “reflexo do olho de gato”. A idade média do diagnóstico é 2 anos de idade, sendo rara em crianças acima dos 6 anos.
Noélia de Jesus Andrade já fez parte dessa pequena, mas existente porcentagem de crianças acometidas pelo câncer no olho. A história de Noélia se confunde com a própria história do Gacc/SE, que só surgiu alguns anos depois.
Aos 3 anos de idade o tio começou a notar que o seu olho esquerdo apresentava um brilho anormal. No hospital Cirurgia, Noélia recebeu o diagnóstico e foi lá que realizou o tratamento de cerca de dois anos, com remédios e quimioterapia, além da cirurgia para a retirada do globo ocular. “Como eu era muito pequena, não lembro de muita coisa. Lembro dos enjoos na época da quimioterapia e que faziam uns chapeuzinhos para mim lá no interior depois que o meu cabelo caiu”.
Ela e sua família moravam em Simão Dias e constantemente vinham para Aracaju para prosseguir com o tratamento. Em uma dessas vindas para a capital, Noélia conheceu Ulla Ribeiro, que agora é a atual presidente da instituição.
A amizade e a identificação ainda quando crianças foi tão grande que Noélia se tornou parte da família. As oportunidades de estudar e ter uma vida melhor, além da forte ligação entre as duas, fizeram Noélia deixar o interior ainda criança e ir morar com Ulla e a família.
“Eu vim passar as férias na casa dela e quando foi para voltar para casa nós duas ficamos chorando, sem querer ficar longe uma da outra. Até que Ulla perguntou se eu não queria morar com eles. Conversaram com meus pais, explicaram que eu iria ter mais oportunidade morando com eles, até que meus pais deixaram. Nós somos como irmãs mesmo, e é como se a mãe dela também fosse minha”, conta Noélia, que mesmo vindo morar em Aracaju, nunca deixa de ter contato com a família em Simão Dias.
Com sete anos ela presenciou o nascimento do Gacc, na época localizada em uma casa no bairro São José, criada por Lygia Ribeiro, mãe de Ulla Ribeiro. No ano em que a instituição surgiu, Noélia já estava na chamada fase de controle, período de 5 anos instituído pela medicina para observar se o câncer retorna. “De lá para cá foram muitas conquistas do Gacc e com fé em Deus, em breve vai estar ainda melhor com a sede própria”.
Mas mesmo na fase inicial da instituição, Noélia conta que o apoio dado foi fundamental. “Eles nos apoiavam em tudo que precisava, com medicamentos, cesta básica, todo apoio financeiro, psicológico…o Gacc foi muito importante para eu estar aqui hoje contando a minha história”, e relembra que foi através da instituição que conseguiu a prótese do olho.
Com 24 anos e curada do câncer, Noélia trabalha hoje como auxiliar administrativa na T3 Comunicação e cursa Enfermagem na Unit, um caminho escolhido também com base no que viveu na infância. “O caminho do paciente com câncer é difícil, mas tem que ter fé e esperança e sempre acreditar que vai alcançar a cura”.



